Sugerencia de Bibliografia sobre programa de transferencia de renta en Brasil

Vozes do Bolsa Família

Pinzani, Alessandro e Rego , Walquiria Domingues Leão

BFSinopse

O Bolsa Família completa 10 anos em 2013, alcançando perto de 50 milhões de pessoas, o que o torna o maior programa de combate à pobreza do mundo. Mas, quais seriam seus impactos na vida de seus beneficiários, principalmente das mulheres, titulares do benefício?

Walquiria Domingues Leão Rego e Alexandre Pinzani buscam, neste estudo, fazer essa avaliação, com foco não nas melhorias econômicas, mas nas conquistas de autonomia –moral, econômica e política –daquelas mulheres, a partir do momento em que passaram a contar com uma renda monetária regular, ainda que mínima, uma situação inédita para a maioria delas.

Os autores ouviram, entre 2006 e 2011, mais de 150 mulheres cadastradas no Bolsa Família, nas regiões mais empobrecidas do país, onde a circulação de dinheiro é escassa: Vale do Jequitinhonha (MG), sertão e litoral de Alagoas, interior do Piauí e do Maranhão, periferias de São Luís e do Recife. Cada mulher foi entrevistada mais de uma vez, de modo que foi possível verificar as mudanças que experimentaram durante o período, a partir da interpretação de seus depoimentos à luz de teorias da Filosofia e da Sociologia, em especial da sociologia do dinheiro.

Leão Rego e Pinzani constataram que o programa de transferência de renda produz impactos sociais significativos nas vidas das beneficiárias, incomparáveis aos proporcionados por outros tipos de auxílio, como, por exemplo, vales de troca por produtos ou cestas básicas. Os efeitos decorrem do fato do benefício ser em dinheiro, o que implica em liberdade e responsabilidade quanto ao uso, aprendizado de planejamento de gastos e ganhos de dignidade.

Os beneficiários experimentam certo grau de liberdade e autonomia, segundo os autores, porque podem escolher a forma de empregar o dinheiro, e ganhos de dignidade perante os demais membros da comunidade porque se tornam confiáveis: “O cartão do Bolsa Família é a única coisa que me deu crédito na vida, antes não tinha nada”, diz uma das entrevistadas.

O estudo deita por terra certos preconceitos, como aquele segundo o qual não se deve dar dinheiro aos pobres, que não saberiam como empregá-lo. As mulheres ouvidas na pesquisa demonstram o contrário: em geral elas gastam prioritariamente com alimentos, em especial para as crianças. Uma delas informa que pode comprar, finalmente, um inalador para um filho que sofre de crises asmáticas.

Se o dinheiro fosse entregue aos homens, sugere parte das entrevistadas, poderia ser utilizado de modo mais egoísta. Talvez por isso, a quase totalidade aprova o fato do benefício de ser entregue a elas, e não a eles. Contudo, desafiando outro preconceito, as mulheres ouvidas almejam muito mais do que uma renda mínima proveniente de um programa governamental: todas as entrevistadas afirmaram que gostariam mesmo é de ter trabalho regular e carteira assinada.

Os impactos positivos do Bolsa Família, porém, ainda representam um passo tímido no enfrentamento da complexa questão da pobreza no país, na opinião dos autores: “Ainda falta fazer muito em políticas públicas para o que o Brasil se torne uma comunidade de cidadãos providos de direitos iguais”.

Fonte: Editora Unesp

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