Pacientes de câncer que são casados têm vida mais longa, diz pesquisa

Estudo analisou 735 mil casos dos dez tipos mais comuns da doença, durante quatro anos, nos Estados Unidos.

Um dos momentos mais bonitos de uma cerimônia de casamento é quando os noivos fazem os votos matrimoniais. Votos de fidelidade e respeito na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da vida.  Um estudo acaba de mostrar que a força desse juramento de amor vai muito além das palavras.

A promessa é antiga, mas será que ela resiste às dificuldades da vida de casado?

O que a rotina do casamento mostra a ciência acaba de comprovar. Segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos, pacientes de câncer que são casados têm vida mais longa que pacientes de câncer solteiros.

O estudo analisou 735 mil casos dos dez tipos mais comuns da doença, durante quatro anos.

O doutor, responsável pela investigação, conta que a ideia era verificar se pacientes casados são diagnosticados mais cedo, recebem o tratamento adequado e por isso vivem mais.

O principal resultado da pesquisa: a chance de um paciente solteiro não se tratar da forma correta é 53% maior do que a de um paciente casado.

Para o médico, uma das explicações pode ser o conforto proporcionado pelo apoio do parceiro.

Mas esse afeto que ajuda no tratamento pode surgir ainda de outros tipos de laços.

casalNo Instituto Nacional do Câncer, no Rio, um dos trabalhos das assistentes sociais é buscar um suporte afetivo pra quem vive longe da família – isso quer dizer que, claro, solteiros, separados e viúvos também têm vez.

“Muitas vezes a família não é a fonte principal de apoio a essa pessoa. Pode ser um amigo, um vizinho, um grupo religioso, a comunidade”, disse a assistente social Fabiana Ribeiro.

Cinco anos atrás, Luiza precisou dessa força. Ela só tinha 26 quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Teria que remover um dos seios. Primeira decisão: se casar no civil antes da cirurgia.

“Foi uma necessidade mesmo, porque o plano de saúde dela não cobria internações particulares e tudo mais, ambulatório, e já o da minha empresa cobria. Então eu precisava realmente correr com o casamento pra ela poder ter um respaldo médico”, conta o marido de Luiza, Wilson Monteiro (foto).

A promessa de ficarem juntos na saúde e na doença nem precisou ser feita. “Foi muito companheiro, e eu acho que isso foi fundamental também pra minha recuperação. Eu falava: gente, eu descobri, achei a pessoa da minha vida, agora eu não posso morrer agora. Ele raspou a cabeça, em solidariedade”, disse Luiza.

“Foi pensando nela. Vamos lá. Parecem dois irmãos”, disse o marido.

“A quimioterapia, eu ficava mal três dias. Quando chegou na última, eu falei: eu não aguento mais, eu não vou. Ele falou comigo: se você parar agora, eu te deixo”, conta Luiza.

“Eu tive que usar de todas as armas”, disse o marido.

O poeta Carlos Drummond de Andrade disse no poema “as sem razões do amor”: “eu te amo porque te amo, o amor é um estado de graça, não se paga com amor, o amor é dado de graça, semeado ao vento, na cachoeira, no eclipse. O amor foge a dicionários, a regulamentos, vários”.

Quem já foi amado e cuidado assim sabe que a atenção faz milagres. No começo desta reportagem, você viu o vídeo do casamento do Ronald e da Moana — isso foi há 30 anos.

No início, a vida em comum foi mais fácil.

“A gente morava na praia, a gente tinha empregados, os filhos tinham um conforto espetacular, não tinha problema de pagar escola, faculdade compras, hoje em dia a gente não faz isso”, conta.

Reviravoltas na vida profissional dele levaram o casal e os três filhos para casa dos pais do Ronald. Hoje, uma das fontes de renda do casal são as bijuterias que a Moana fabrica.

“Não é o dinheiro que eu ganhei, o dinheiro que ele ganhou: é o dinheiro que nós ganhamos. A gente não tá junto? O bom, o ruim, é junto”, diz Moana.

Fantástico – Se não fosse ela, como seria sua vida hoje? Ronald “Não tenho ideia! É uma opção que nunca me passou pela cabeça. Até que a morte nos separe, mas eu não tô com planos de morrer”. Moana- “Nem eu”.

O Licínio e a Carmem também querem viver muito juntos. E pra isso um ajuda o outro – ou um muda a ideia do outro.

“Eu achava que as caminhadas, os exercícios, os equipamentos nas praças já eram o suficiente. Mas…”, diz Licínio.

“Eu dizia, mas olha, quando vem chuva, você não caminha”, complementa Carmem da Silva.

Como uma coisa puxa a outra…

“A musculação nós podemos fazer a qualquer hora do dia. Mas a dança, a piscina e o alongamento é só de manhã”, conta Carmem.

“Juntos. Fazemos juntos. Ele só não me acompanha na dança”, brinca Carmem.

Cinquenta anos de casados são 50 anos de incentivos – que nem sempre dão certo.

“Eu só não assisto novela”, conta Licínio.

As provas que o amor provoca mudanças e leva adiante estão também na nova vida de Luiza e Wilson. Ela tinha 80% de chance de não engravidar por causa da quimioterapia.

A vontade de viver foi tanta, que depois do tratamento ela ficou grávida de Maria Clara. E agora o casal espera o segundo filho. “Até nisso ele foi solidário, porque ele sempre quis muito ser pai. E ele falava pra mim: ‘Luiza, se não der certo, se por acaso você não puder engravidar, não tem problema. A gente dá um jeito’”, conta Luiza. Final feliz total”, conta Luiza.

Fonte: G1.com

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