Quem passou na Fuvest virou adulto?

Sabine Righetti é especialista em políticas de educação e ciência

Conferindo a lista de aprovados na Fuvest que acabou de sair (veja aqui), lembrei-me de uma conversa com um aluno do 1º ano de engenharia na Poli-USP.

Ele dizia que pouco antes de entrar na USP, ninguém dava a menor pelota para ele. Antes da USP, o garoto era só mais um estudante de ensino médio considerado previamente irresponsável, incapaz e invisível.

“De repente, as pessoas começaram a prestar atenção no que eu dizia só porque eu passei a ser estudante da USP. Virei adulto.”

Isso acontece? Sim, sempre.

Em geral, nosso sistema de ensino nas escolas não dá voz aos alunos e nem lhes permite nenhuma forma de decisão.

Os alunos assistem as aulas passivamente seguindo uma cartilha que a escola determina.

Muito raramente podem optar por uma ou outra disciplina que preferem. Eles não podem fazer escolhas.

Aí, de repente, esse mesmo aluno se vê obrigado a escolher, atenção, aquilo que ele vai ser no resto da vida.

Aos 17 ou 18 anos, os brasileirinhos têm de decidir sua carreira. Muitos erram: não é à toa que a taxa de evasão nas universidades públicas gira em torno de 25%.

Isso significa que uma cada quatro pessoas aprovadas na lista da Fuvest de hoje provavelmente vai largar a USP nos próximos anos, antes de concluir o curso.

Quando esses mesmos jovens entram na universidade, eles passam a ser considerados adultos. Se ele entrar na USP, então, ele será “o” adulto. Simples assim.

“PASSEI”

A passagem pelo vestibular obviamente não é suficiente para amadurecer uma pessoa.

O treinamento para a vida adulta tem de começar na escola, com as pequenas decisões, com uma leve independência e com a possibilidade de o jovem ser ouvido.

E tem de seguir na universidade.

Quem não passou na Fuvest não é menos adulto do que quem conseguiu ser aprovado.

Talvez seja apenas menos preparado.

Fonte:  Folha de São Paulo

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Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) define seu plano de trabalho para 2014

Na última terça-feira, 26 de novembro, a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) reuniu-se em plenária no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), para debater seu plano de trabalho para 2014, com base nos resultados da I Conferência Regional de População e Desenvolvimento (CRPD), que ocorreu em Montevidéu em agosto deste ano. Esse plano de trabalho, que contemplará a ampla participação de organizações da sociedade civil, prevê o apoio às missões brasileiras em eventos internacionais, como a reunião do BRICS (grupo de países formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na África do Sul em janeiro, a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, em abril, e a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.

Além disso, a CNPD se propõe a estabelecer mecanismos de monitoramento das ações e metas definidas nas Conferências Internacionais sobre População e Desenvolvimento – chamadas de “Cairo”, porque a primeira aconteceu nesta cidade do Egito em 1994, e que terão nova edição em abril de 2014 em Nova York, a Cairo+20. Também está nos planos da CNPD publicar cadernos temáticos sobre questões prioritárias, como a relação entre população e desenvolvimento, o aprofundamento da pauta sobre os direitos sexuais e os direitos reprodutivos, o fortalecimento de uma pauta específica para a juventude,  a superação da pobreza e políticas públicas, os desafios colocados pelo envelhecimento populacional e as transferências intergeracionais, o fortalecimento de uma pauta para a primeira infância, o enfrentamento ao racismo, a promoção da igualdade racial e a migração internacional.

Participaram da reunião representantes de vários órgãos, dentre eles o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o Ministério da Saúde (MS), o Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente da Comissão e subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Ricardo Paes de Barros, a diretora de projetos Diana Grosner e a secretária-executiva Suzana Dieckmann fizeram a abertura e a condução da reunião.

Fonte: Secretaria de Assuntos Estratégicos (Sae)

“Pai solteiro”, universitário do Sul do RJ cuida sozinho de bebê de 2 meses

bebezinhoCésar Augusto, de 22 anos, diz que cada noite perdida vale a pena. Primeiro Dia dos Pais é de grande expectativa para toda a família.

“Tem dois meses que não sei o que é uma noite inteira de sono”, brincou o pai de primeira viagem, César Augusto Dias Rosa, de 22 anos, morador de Barra Mansa (RJ). Mas apesar da nova rotina, a última coisa que o novo papai pensa é reclamar. “Vale a pena. É normal dos bebês trocar a noite pelo dia. É verdade que tem vezes em que você está cansado, com compromissos para o dia seguinte, e quando ele dorme e eu finalmente fecho os olhos, ele chora. Mas o desânimo é só por 30 segundos. Logo pego ele, vejo aquele rostinho, aquele sorriso banguelo, não tem como resistir”, disse.

A mãe não tinha condições de ficar com ele, por questões particulares, e então eu teria que ficar com a guarda dele”. César Augusto, pai.

Aos dois meses, o pequeno Heitor passará o primeiro Dia dos Pais ao lado de César. O momento é de grande expectativa para o papai de primeira viagem. “Na verdade, a ficha ainda não caiu muito bem, mas acho que será especial, como tem sido todos os momentos ao lado do meu filho. Só espero aproveitar bastante porque sei que essa fase passa rápido”, contou.

Depois de um relacionamento curto, César descobriu que seria pai no final de 2012. “A mãe não tinha condições de ficar com o Heitor por questões particulares, e então eu teria que ficar com a guarda e a total responsabilidade sobre ele”, contou.

Apoio familiar
Apesar das dificuldades e do medo, César diz que nunca pensou em não assumir o filho. “Com a ajuda da minha mãe enfrentei a situação com fé e assumi total responsabilidade. Em momento algum passou pela minha cabeça pedir para ela abortar. Heitor é um presente de Deus para mim. Ele não pediu para estar nesse mundo. Quero criá-lo da melhor maneira que puder, com todo carinho, atenção e amor”, explicou o jovem.

No último ano da faculdade de Direito, o jovem está se preparando para o Trabalho de Conclusão de Curso e para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para conseguir conciliar todas as tarefas, César recebe apoio incondicional de sua mãe. “É um trabalho enorme, se não tivesse o apoio da minha mãe, não seria possível continuar com meus estudos e cuidar do Heitor. Minha família toda dorme e acorda por conta dele. Ainda sinto medo, mas tenho procurado fazer tudo da melhor maneira possível”, disse.

Jovem conta desde cedo com o apoio da família (Foto: César Augusto/Arquivo Pessoal)
Para a mãe de César, Maria Inês, de 50 anos, que trabalha como pedagoga, o sentimento é de orgulho. “A gente sempre cria os filhos falando de valores e nem imagina que eles realmente entenderam. A atitude que meu filho tomou, de assumir uma paternidade aos 21 anos, sendo universitário e estagiário, é motivo de imenso orgulho para mim”, contou Inês.

Ela também garante que César tem desempenhado bem a função de pai. “Meu filho é um super pai: protetor, preocupado, e em busca de um futuro brilhante em prol do seu pequeno Heitor. Faria tudo o que estou fazendo por ele de novo, pois meu filho é digno de tudo isso”, disse.

César garante que tenta se esforçar para acompanhar todas as fases de Heitor, e diz que realiza todas as tarefas com prazer. “Quando vejo algum pai falando que só deu banho no filho com 6 meses porque tinha medo ou que quando ele começava a chorar mudava de quarto, me sinto orgulhoso de saber que sempre dei banho no Heitor, passo todas as noites com ele, troco fraldas… Sinto que faço tudo ao meu alcance e que meu filho terá orgulho de mim”, disse o pai de primeira viagem.

Primeiro Dia dos Pais é esperado com expectativa (Foto: César Augusto/Arquivo Pessoal)

O jovem também conta que cada nova tarefa realizada é um grande aprendizado, mas quando procura dicas pela internet, ainda tem dificuldade. “Passei a ler matérias sobre bebês, meus amigos até brincam comigo quando aparece ‘César curtiu a página Diário de bebê’. Tenho me esforçado para fazer o melhor para ele, me informar, entender seus gestos e necessidades, mas a maioria das coisas que você encontra é focado nas mães, é difícil informações para pais solteiros. Estou pensando em até fazer uma página para ajudar pais de primeira viagem, assim como eu”, contou César.

Chá de bebê
Enquanto César esperava a chegada do novo integrante da família também se preocupou com detalhes importantes: o nome e o quarto do bebê! “Heitor foi sugestão de uma tia, e após pesquisar o significado – que se mantém firme, não se abate, resiste e contém o inimigo -, decidi que seria esse. Já o quarto dele foi montado junto com o meu”, disse.

Quase 100 pessoas participaram do Chá de Bebê (Foto: César Augusto/Arquivo Pessoal)
Para celebrar a espera do filho, César também decidiu organizar um Chá de Bebê junto com os amigos. “Resolvi juntar meus amigos nesse momento tão especial e fazer um chá de boas vindas. Falei com eles e minha família, e todos adoraram a ideia. Juntos, me ajudaram a torná-la realidade”, contou. Durante a festa, sua mãe Maria Inês resolveu fazer uma surpresa, agradecendo o apoio de todos e falando sobre seu orgulho com a atitude do filho.

“Foi um dia muito especial na minha vida e eu nunca vou esquecer. Quase 100 pessoas compareceram no chá do Heitor, foi realmente emocionante. O momento mais intenso foi quando minha mãe leu um texto que escreveu para todos os convidados. E, logo após, meus amigos me surpreenderam com um carrinho, uma banheira e um bebê conforto”, lembrou César.

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Ele nasceu exatamente no dia 16 de maio, data em que perdi um grande amigo em um acidente de carro”. César Augusto, pai

Presente de Deus
Durante a gravidez César contou que acompanhou todos os exames do pré-natal, e o dia do nascimento do Heitor foi de grande surpresa. “Ele nasceu exatamente no dia 16 de maio, data em que perdi um grande amigo em um acidente de carro. Ele foi um presente de Deus para mim”, disse.

Heitor foi morar com César dois dias após o nascimento. Desde então, eles nunca se desgrudaram. “Ainda tenho medo do futuro. Às vezes, me sinto cansado e desacreditado, mas basta pegar ele no colo 3 minutos que todos os problemas somem. Espero poder passar para ele tudo que meus pais me passaram, meus conceitos de vida, educação, caráter, responsabilidade. Espero poder dar todo amor, carinho e dedicação que ele merece, para que ele seja um bom homem e possa ser o que quiser ser”, concluiu César.

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Nome do pequeno Heitor foi sugestão da tia (Foto: César Augusto/Arquivo Pessoal)
Fonte: Globo.com